terça-feira, 18 de outubro de 2016

Tempestade

Luan on

Como sempre, desde que chegou aqui, ela me olhou assustada com minhas palavras, é, ela deve ter se assustado, afinal não tinha ido pra cama com ninguém até vir morar aqui,e, eu bem sei que sou um pouco intimidador.
Olhei pra ela e comecei a reparar, era estranho, mas, desde que chegou aqui, a cinco dias, ela parece ter emagrecido bastante, e, seu rosto não era mais como antes, agora, seus olhos transmitiam medo, dor.
De certo modo, por mais que eu não tivesse obrigação, eu não gostei de ver ela assim, ela foi legal comigo hoje,e eu queria retribuir isso de alguma forma, então, achei melhor dar uma trégua hoje na minha brutalidade, claro, se ela colaborasse comigo.
Do lado de fora, o tempo fechou, ameaçando chover, e, já começava a esfriar, o inverno desse ano já começava rigoroso.

-Ei, Clara, tá esfriando, sobe, toma um banho e veste algo quentinho, estou com vontade de comer pizza, vou pedir pra gente, você gosta?

-Sim, gosto muito, mas, é meio caro,  tem anos que não como...

Estranhei sua afirmação, anos sem comer pizza por não poder pagar? Isso definitivamente era algo novo pra mim que nunca passei vontade de nada, pelo que parece, essa garota tem  muita coisa que eu não sei.

-Bom, tudo bem, hoje você vai comer, quer algum sabor em especial?

-Não, pode pedir o que quiser, obrigada...

-De nada, agora sobe e toma banho como eu disse, eu vou pedir a pizza e farei o mesmo.

Ela subiu como eu tinha mandado e eu pedi que entregassem duas pizzas com refrigerante, logo, subi e tomei meu banho, e, Clara já tinha tomado o dela e vestia um moletom larguinho, acabei por vestir um moletom também, já que estava frio e, logo descemos, assim que o interfone tocou, avisando que a pizza tinha chegado.
Sem que eu precisasse mandar, ela ajeitou os pratos e utensílios na mesa de jantar e nos sentamos pra comer.

-Eu comprei de Lombo com catupiri, e de milho e bacon, qual quer experimentar primeiro? Perguntei esperando pra servir e vi seu olho brilhando ao ver as pizzas sobre a mesa. Será que em algum momento ela chegou a passar necessidade? Me perguntei a encarando.

-Pode ser de Lombo, obrigada, falou assim que eu a servi.

-de nada, come o quanto quiser, sei que tinha vontade, podia ter me pedido, sempre que quiser comer algo diferente, basta me pedir.

Comemos em silencio, ela provou das duas pizzas, e, como eu também estava com um pouco de vontade, não sobrou nada, devoramos as duas.

-Luan, obrigada, falou, e pela primeira vez desde que chegou aqui, ela deu um sorriso sincero.

-de nada, ainda tá cedo, eu quero começar a assistir uma série, Prison break, por que não faz um brigadeiro pra gente e vem assistir comigo? Não quero que suba agora.

-Tudo bem, ela se levantou foi pra cozinha.

Logo que voltou, coloquei a série pra começar e assistimos quatro episódios devorando o brigadeiro, até começar a chover e eu ter que desligar a TV.

-Vamos pra cama,com essa chuva, não dá pra assistir mais nada, amanhã a gente continua.

-Tudo bem, falou, e logo ouvi u trovão seguido de um raio, e ela se arrepiou da cabeça aos pés me fazendo rir.

-Medo de tempestade ruivinha?
-Um pouco, vamos logo...


-Não se preocupa não princesa, o ditado é certo, depois da tempestade sempre vem a calmaria, em todos os sentidos.

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