quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A verdade

Luan on

Não sei dizer se realmente estava pronto pra me abrir a respeito de Iza, mas, Clara, de certo modo, me passava confiança, eu sentia que podia falar com ela o que eu quisesse, que ela sabia guardar as coisas, prova disso foi ela nunca ter me denunciado.

-Clara, eu vou te contar , mas, esse assunto, morre aqui.

-Ok, eu não vou contar...

-Não mesmo, e, não me pergunte nada, me deixe contar tudo primeiro antes de fazer qualquer pergunta, ok?

-Tudo bem, não vou dizer nada.

-Eu conheci a Izadora na época do colégio, a gente estava entrando pro ensino médio, ela era uma garota linda, muito tímida, e, acabei fazendo amizade com ela.

Ela era muito magrinha, e, vivia faltando as aulas, eu estranhava, e, quando eu perguntei, ela me contou que estava fazendo um tratamento, ela tinha  nascido com uma doença, chamada anemia falciforme, essa doença deixa o sangue ralo, e causava muitas dores, l,ogo, a gente começou a namorar, eramos muito felizes,e, prometi a ela, que eu faria um curso de enfermagem, pra ela não ter que ser tratada por mais ninguém, eu prometi que cuidaria dela.

Eu era muito apaixonado, amava a Iza com todas as minhas forças,e, consegui cumprir minha promessa, eu estudei, e consegui fazer um curso de enfermagem, eu passei a fazer tudo por ela, cuidxava dela com todo amor do mundo, e, depois de dois anos de namoro, trouxe ela pra morar comigo.

O sonho dela era ser mãe, mas, nós sabíamos que isso não podia acontecer, seria um risco de vida pra ela e pra criança, então, desde a nossa primeira vez, mesmo ela sendo virgem, eu me previni, ela não podia usar pílula, então, eu usava preservativos, nossa primeira vez foi maravilhosa, eu tive todo cuidado do mundo com ela, foi num lugar muito especial pra nós dois, e eu fiz ser perfeito, fiz tudo que era preciso pra ela não sentir nenhuma dor, embora fosse difícil, mas, aquela noite foi muito especial pra gente.

Ela estava obcecada, queria ser mãe, mas, eu não podia deixar, então, sem eu saber, ela, em uma noite, furou o preservativo, e bastou uma vez pra ela engravidar.

Apesar de tudo, quando eu fiquei sabendo, eu fiquei feliz, seriam um casal de gêmeos, Breno e Nicole, e, meu deus, como ela estava feliz.

Eu tinha medo, no fundo, eu sabia, algo iria acontecer, e, ela também, quando meus filhos iriam nascer, ela passou mal, teve uma hemorragia, e, ela sabia que ia ia morrer.

Flash back on



-Meu bem, desculpa, chegou minha hora, eu já sabia, mas, agora, você precisa ser forte, eu sinto1, eu sei que o Breno vai embora, e estou indo também, não se preocupa, nem fique triste, eu só quero que você me prometa, que vai cuidar com todas as forças e com todo amor do mundo, que vai amar e cuidar  muito  da Nick.



-Amor, não diz isso, vocês vão ficar bem, voicê e o Breninho vão ficar bem, vocês não podem me deixar, eu não consigo, por favor...



-Não tem outro jeito meu bem, me perdoa, me promete, por favor, eu preciso qye me prometa que vai cuidar dela, só assim eu irei em paz.



-Eu prometo, eu te juro meu bem, eu te amo mais que tudo.



-Eu também te amo, e vou continuar te amando e te cuidando, só que agora, lá do céu, até um dia meu menino.

Quer mesmo saber?

Clara on

Meu corpo gelou, e fiquei dura de medo, ele estava bravo, e agora, eu sabia, ele ia me extuprar e me dar uma surra descomunal.

-por favor, eu sei que quer me matar, então, faz isso logo, me espanca, me deixe inconsciente antes de me estuprar, por favor, me desmaie, eu não quero ver você me estuprando.
Implorei desesperada.

-vem aqui, pediu calmo, mas eu não me movi, meu medo era maior, mas, logo, ele veio até mim, e, fui pega de surpresa com seus braços me envolvendo num forte abraço.

-Não precisa ter medo, não vou machucar você princesa, eu não quis fazer você se machucar, falou pegando em minha mão ferida.
Clara, você precisa parar de ter tanto medo, isso te faz mal...

-Me desculpa por fazer carne moída, eu não sabia, eu juro...

-tá tudo bem, eu fiquei nervoso, mas passou, não quis te fazer machucar ok?

-Eu vou fazer outra comida...

-vamos então, e, me desculpa, você é uma pessoa iluminada, não merece o que eu faço com você, mas, entenda, eu perdi tudo, não tá sendo fácil, desde que a Iza se foi, eu sou outra pessoa.

-como ela morreu? você a matou?

-É uma história triste, quer mesmo saber?

Rebelde

Luan on

Clara desceu pra fazer o almoço, eu estava faminto, e, logo ela me chamou pra comer.

- Luan, o almoço está pronto, ja servi seu prato, vamos?

Desci com ela, com a barriga roncando, mas, fiquei puto de raiva quando vi que ela fez carne moída, eu odiava aquilo.

- MAS QUE PORRA É ESSA QUE VOCÊ FEZ?

-Eu fiz macarrão com molho de carne moída, tá gostoso, experimenta.

-você fez de propósito

-o, o que eu fiz?

-CARNE MOÍDA, EU ODEIO CARNE MOÍDA PORRA.

Gritei, e, no susto, ela deixou o prato cair, com toda a comida quente em cima dela, e o quebrando em caquinhos.

-ai, meu Deus, desculpa, por favor, me perdoa,  eu vou limpar isso, eu juro, eu aaaaaaaai, gritou e vi sua mão sangrar, ela havia se cortado com o caco.

- Clara, fica calma, você se cortou, me deixa ver.

-Não, não precisa...

-Precisa sim, está sangrando, me dê sua mão.


Clara on

Droga, eu tinha feito besteira e sabia que seria punida, o medo tomava conta de mim


-Vamos, vou tirar esse pedaço de vidro para fora, limpar o ferimento e envolvê-lo, você não pode ficar com ele.
Pode infeccionar.

-"Ok," respondi, com medo de dizer não a ele. Ele estava obviamente com intenção de me ajudar.
Ele virou-se e começou a caminhar para fora, então eu o segui. Eu só olhei de relance uma vez em seu traseiro, e só fiz porque estava curiosa sobre como sua bunda parecia neste jeans que ele estava usando. Era tão impressionante quanto à parte da
frente. Esse jeans encaixava muito bem.
Enviei meu olhar para suas costas e notei pela primeira vez como era bonito seu rabo de cavalo. Seu cabelo não era tão longo, mas
parecia ao menos alcançar seus ombros. Não tinha me permitido olhar para ele o suficiente para notar. Seus olhos e a forte linha da
mandíbula tinham tomado toda a minha atenção antes.
Nós alcançamos a porta de seu quarto e ele ficou para trás e acenou para que eu entrasse.

Entrei e me sentei, vendo ele pegar aquela temida caixinha vermelha, ele estendeu suas mãos.

-Aqui, me dê sua mão, vou ser tão gentil quanto puder, mas ainda assim vai doer.

-Eu sei que vai, falei, sabia que iria apanhar e ser estuprada quando ele terminasse.

Coloquei a palma da minha mão na sua, e ele olhou para mim como que pedindo desculpas, como se isso fosse culpa sua.
Assisti enquanto ele tirava devagar o vidro de minha mão e começava a
pressionar uma bola de algodão que ele molhou com água
oxigenada. Sim, doeu, mas eu tinha passado por coisa muito pior.
Ele inclinou sua cabeça e gentilmente soprou minha ferida enquanto ele limpava. A sensação fria de sua respiração em minha
pele aliviou a picada, e eu fiquei fascinada com  o biquinho feito.
Ele segurou a bola de algodão apertado contra a ferida, pressionando com seu polegar enquanto ele alcançava uma nova
bola e esparadrapo.

-prontinho princesa, estou com fome, por que você decidiu ser rebelde, mas, agora, preciso conversar sério com você.

Carne moída

Clara on

Eu estava um pouco assustada em ver ele com aquela seringa em mãos, afinal, ele vivia nervoso comigo, poderia me machucar de propósito.
Ele percebeu que eu estava com medo e prometeu não me machucar, tive que deixar, afinal, eu não tinha outra opção, mas, ele não mentiu, foi muito cuidadoso e mal senti a dor da picada.

Logo, voltamos pra cama e dormimos de novo,  acordei com ele me mandando levantar e fazer o almoço, pois, já era muito tarde.

-Clara, clarinha, acorda e vai fazer o almoço, estou morrendo de fome...
Eu não
-sua garganta está melhor?

-ainda dói um pouco.

-então vou fazer outro chá...

-agora não, faça o almoço, o Murilo chega semana que vem pra ficar com você, mas, é você quem vai ficar responsável por tudo aqui, quero essa casa sempre limpa, e comida na hora certa, a empregada não virá mais, agora é com você.

-tudo bem, cuidarei de tudo.

Desci e fiz o almoço, macarrão com molho de carne moída, logo, o chamei pra almoçar.

- MAS QUE PORRA É ESSA QUE VOCÊ FEZ?

Temos muito que conversar

Luan on

Clara parecia estar em outro mundo, não esticava o braço, não falava, nada,  apenas fechou o olho e deitou novamente, droga, ela  não ouviu nada do que eu disse.
Eu não podia julga-la, ela realmente devia estar muito cansada, pois, não dormia direito a alguns dias, mas, aquele exame era realmente importante, ela estava sempre fraca e febril, além de estar emagrecendo muito, isso não é normal.

Ela cuidou e ainda estava cuidando de mim, nada mais justo que eu fazer o mesmo, pensei, não me custará nada ser um pouco gentil e acordar ela com cuidado.

-eeei, psiu, Clara, clarinha, sei que está cansada mas preciso que acorde.

-hum?

-abre os olhos, olha pra mim, pedi e ela assim o fez depois de se espreguiçar .

-quer que eu faça seu café?  Eu, eu já estou indo Luan...

-Não é nada disso dorminhoca, eu só preciso colher um pouquinho do seu sangue pra examinar, e depois você pode voltar a dormir...

-você que vai colher?

-sim princesa, ja te expliquei que sou um enfermeiro formado, agora estica o braço e colabora comigo.

-vai doer muito?Perguntou assustada.

-há quanto tempo você não faz um exame, pra estar assustada assim?

-acho que nunca fiz, exame e médicos são caros...

-tá explicado, mas, deita ,encosta as suas costas e estica o braço, vai ser rápido.

-preciso mesmo fazer isso?

- sim, mas, relaxa, não precisa ter medo e nem ficar assustada bonequinha, é só uma picadinha,  mal vai sentir.

Ela fez o que mandei, logo, amarrei nela o elástico, e peguei i o material que eu precisava.

-feche seu olho e conte em silêncio até 20, quando chegar ao 20, já terei acabado, você só não pode se mexer ok? Prometo ser cuidadoso.

Ela logo fechou os olhos e fiz o que tinha que ser feito, ela não se mexeu nem reclamou, apenasum resmungo, logo, o motoboy do laboratório, veio buscar as amostras e eu pude voltar pra cama com ela.

-doeu muito medrosa?

-só um pouquinho, obrigada.

- de nada, agora, vamos dormir mais um pouquinho,  amanhã temos algumas coisas bem sérias pra resolver .

Exame

Luan on

Eu fiquei com a consciência pesada com o que ela disse, mas, estava tão mal, que eu logo caí no sono de novo.
Acordei com ela mexendo de leve nos meus cabelos e no rosto, pela claridade, vi que já tinha amanhecido.

-Ei, Luan, acorda só um pouquinho, eu preciso que você tome esse comprimido,  falou mansa assim que eu abri os olhos.

Ela tinha uma cara de cansada, e olheiras que denunciavam que ela não tinha dormido.

-obrigado, falei tomando o remédio, você não dormiu nada não é?  Está com cara de sono...

-Não, eu não dormi, eu prometi que iria velar seu sono pro caso de você ter febre e te cuidar, e fiz isso, eu nunca, nunca quebro uma promessa.

-Eu estou bem, não precisa disso.

-volta a dormir, eu vou descer agora e fazer um chá pra aliviar a sua dor de garganta, enquanto isso, quero que você descanse tudo bem?  Hoje a noite, você ainda tem show, precisa estar bem, então, trate de dormir e deixa de se preocupar comigo,  eu estou ótima.

-ótima? Sem dormir, sangrando perna abaixo e cheia de dor...

-Eu estou acostumada, agora, descansa.

Logo, ela voltou com um chá de limão com mel, não era ruim, mas também não era nada gostoso,  mas, ela tinha razão, me ajudou bem, logo, minha febre baixou e minha dor diminuiu.
Eu queria ir logo pra casa, então, decidi ir direto depois do show, não queria mais ficar em hotel, queria ser mimado no conforto da minha casa.

-Clara, faça nossas malas agora, quero ir pra casa assim que o meu show acabar.

-Eu acho melhor a gente voltar pro hotel e você descansar, você ainda não tá cem por cento...

-você não tem que achar nada, faz o que estou mandando se não quiser que sobre pro seu lado.

-tudo bem, me desculpa por te contrariar, só quis seu bem...

-Eu sei o que é bom pra mim, não se mete.

Ela fez o que mandei e logo depois, se arrumou e me ajudou a arrumar pro show, o show foi curto, por ser festival, e fui o primeiro a apresentar, saímos de lá as 11 da noite e chegamos em casa as 2 da manhã onde enfim, caimos no sono.

Aproveitei que ela tinha comido pouco no camarim, e pus meu telefone pra despertar as 6 da manhã , logo que ele tocou, eu peguei algumas coisas no guarda roupas e a acordei.

-Clara,  acorda e estica esse braço, como eu disse ontem, eu vou colher seu sangue agora pra mandar examinar, anda, estica logo o braço, parece que tá dormindo ainda, eu ein, faz o que mandei, falei e ela me encarou assustada.

Promessa

Clara on

Eu não sabia o que dizer, o que pensar, apenas fiz o que ele mandou, ou pediu, não sei ao certo, apenas o abracei forte e chorei.

-por que está chorando clarinha?

-Não é nada, descansa, você vai amanhecer melhor, eu vou cuidar de você...

-quero que me diga, me diga a verdade, porque é que está chorando?

-por que eu não sei o que fazer, eu juro que não sei, você tira tudo de mim, me transformou em uma outra pessoa, me bate, me machuca ao ponto de eu não conseguir me mexer, me estupra, me faz sangrar e sentir dores absurdas, que muitas vezes me faz preferir a morte, mas, eu não consigo ter raiva de você.

-você é boa demais pra odiar alguem, seu coração é de um anjo.

-mas meu corpo não, Luan, eu estou machucada, você não percebe,mas tá doendo demais, por dentro e por fora, não é frescura.

-Eu sei disso, mas, você me tira do sério, procura por isso, eu não sou um monstro, mas perco o controle princesa, acredite, não sou um monstro.

-Eu sei, eu consigo ver isso, sei que você é um homem bom, agora, descansa, fecha os olhinhos e dorme, ao contrário de mim que não tenho ninguém, milhares de pessoas precisam que você esteja bem pra poder ficar tranquilo, inclusive eu, descansa menino, eu te prometo que apesar de tudo que me fez, eu não vou te fazer mal algum, vou velar seu sono pro caso de você ter febre novamente, pode dormir sem medo, você vai ficar bom, pois vou cuidar de você.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Cuida de mim

Luan on

Assim que chegamos ao hotel,  subi com Clara para o quarto, apenas tomei um banho rápido e caí na cama, já tínhamos jantado no camarim.

-está tudo bem? Você está amuado...

-acho que gripei, minha garganta está doendo, eu vou dormir, talvez melhore...

-se não melhorar, quando a gente voltar depois de amanhã, ou amanhã mesmo, eu posso te fazer um chá pra aliviar a dor, limão com mel é tiro e queda...

-vai ser bem vindo, obrigado, boa noite.

-boa noite Luan, dorme com os anjos e que a mãe Aparecida te abençoe.


Clara on

Luan estava estranho, mas, logo dormiu e eu fiz o mesmo, mas, na madrugada, acordei com ele gemendo e suando muito, estava fervendo.  Corri até o banheiro, molhei uma toalha e cobri sua testa, tirei a coberta de cima dele e ele começou a tremer muito.

-me dê, está frio...

-ei, fica calmo, eu vou cuidar de você,  você vai ficar bom, te prometo,  toma,  falei colocando o comprimido em sua boca.

-Estou com frio...

-calma, tá tudo bem, eu não posso te cobrir, você está com febre, vai melhorar, eu te dei o remédio.

-vem aqui.

Fui até ele e  ele me abraçou, me deitando em seu peito.

-Não posso te deixar dormir, me conte algo bom, falei pra mantê-lo acordado.

-Eu tive uma mulher maravilhosa, ela cuidava de mim e me amava muito.

-e o que houve com ela?

-Ela fez uma escolha, e deus tirou ela de mim...

-Que escolha foi essa?

-Eu não quero falar, por favor, só me abraça, só por essa noite, cuida de mim.

Mal estar

Luan on

Ela parecia feliz por estar comendo aquilo, algo tão simples, mas, ela realmente estava com vontade.
Eu tambémnão tomava açaí a um tempo, evitava gelado por causa da voz, mas, gostava muito.

Ela andava meio triste, e, vi que era uma boa hora pra descontrai-la.

-Clara, olha aquilo, apontei e quando ela se virou pra olhar, sujei sua bochecha com o creme.

-Ei, você me melou...

-Eu sei, hahaha, sua cara tá engraçada...

-bobão, mas, nossa, isso tem um cheiro  tão diferente, falou, e quando peguei o pote pra ver, ela empurrou minha mão me fazendo sujar todo o rosto e roupa e ela gargalhou alto....

-caramba, eu só melei seu rosto, você me sujou inteiro...
Falei me limpando com o guardanapo.

-desculpa, foi brincadeira, está nervoso?  Perguntou já tensa.

- claro que não bonequinha, mas olha aqui, a sujei novamente.

Sim, aquilo foi bom, pela primeira vez eu consegui fazer ela ter uma tarde proveitosa, voltamos ao hotel imundos, não tivemos nem tempo pra apresentar o Murilo a ela, apenas nos banhamos rápido e fomos pro local do show.

Fiz meu show normalmente,  hora ou outra, observava Clara na lateral do palco, ela sempre parecia encantada, emocionada, mas devia ser só impressão.

Assim que acabei, voltamos ao hotel, minha garganta doía e eu não estava me sentindo nada bem.

Monstro

Luan on

Clara me olhava com os olhos pidonhos, e eu via que ela realmente estava com vontade.

-Eu vou te levar pra tomar, mas, por que essa vontade agora?

-Eu vi uma moça tomando na tv, e fiquei com vontade, sabe, quando eu tinha 10 anos, eu tive essa mesma vontade, meu pai comprou e tomou na minha frente, sem me dar uma gota, eu cheguei a chorar, por que eu era muito criança, mas ele não deu.
Desde então, eu nunca mais tomei, morro de vontade de provar de novo...

-meu deus, por que ele fez isso?

-ele disse que eu nasci pra ser estrago de vida, que não era obrigado a fazer minhas vontades, ele me odeia...
Contou e seus olhos se encheram.

-chega, tá tudo bem, eu nunca vou te deixar passar vontade de comer nada, basta me pedir, agora vamos.

Peguei ela pela mão, e a levei a uma sorveteria alí perto, pedi um barco de acái, e, ela parecia uma criança quando ganha o brinquedo esperado, comia como se fosse a melhor coisa do mundo, e eu me perguntava que tipo de ser humano é capaz de fazer uma criança passar vontade de comer, realmente, o pai dela devia ser um monstro.