Clara on
Luan me mandou fazer o almoço e eu fui logo preparar, a
ultima coisa que eu queria era que ele ficasse contrariado, as marcas na minha
pele me lembram que devo ser obediente como uma criança.
Fiz uma macarronada, pois era o mais prático, ele logo
desceu, e, depois de dar comida a garotinha que era sua sobrinha, ele pediu que
eu o servisse.
Enquanto ele comia,
não sei por que, perguntei se ele tinha gostado, e, ele novamente foi rude,
dizendo apenas que dava pra comer, certamente ele não tinha gostado, droga.
-Tudo bem, eu, eu vou tentar cozinhar melhor, falei sem
graça.
-lave essa louça, depois troque de roupa, nós vamos sair...
-Sair? Pra onde?
-Não é da sua conta, você não tem que ficar fazendo
perguntas, vamos no shopping e tomar um sorvete com a Alice, meu pai ligou,
você tem que ser vista comigo, faz parte do contrato, anda logo pamonha.
Me levantei rápido e fui ajeitar a cozinha, a garotinha que
estava sentada na cadeira, se levantou e veio até onde eu lavava os pratos me
encarando.
-Oi linda, que foi? Perguntei mas ela não disse nada.
-Anda logo Clara, que moleza...
-eu, eu já acabei, vou me trocar, licença...
-Não, espera, falou segurando firme meu braço quando me
virei.
-Que foi?
-Veste algo longo, e, disfarce essas marcas com maquiagem,
não pode aparecer nada tá me ouvindo?
-Eu não tenho maquiagem aqui...
-Eu tenho, espera, falou e buscou algo na gaveta da sala,
usa isso.
-De quem é?
-Mas que porra, já falei que não é pra ficar perguntando
caralho, faz o que eu mandei...
Subi as pressas e me arrumei, eu não sabia de quem era, mas ele ficou nervoso
por eu ter perguntado, logo, desci e seguimos para o shopping, Luan me beijava,
andava comigo de mãos dadas, como se realmente fossemos um casal e aquilo me deixava
constrangida, odiava tudo isso que estava me acontecendo.
Logo, ele deixou Alice no parque e lá e foi comigo em uma
loja de maquiagens, me pegando de surpresa.
-escolhe o que quiser, pegue de tudo, você vai precisar
quando sair comigo.
Escolhi poucas coisas apenas o básico, mas, confesso que
gostei, nunca tive dinheiro pra comprar essas coisas, normalmente era apenas um
batom.
Saímos da loja e estávamos caminhando quando um homem veio
em nossa direção e Luan parou, tenso e apertando minha mão, suas mãos estavam
geladas e vi sua respiração pesar.
-Olá Luan, quanto tempo, o homem o cumprimentou sorrindo
largo.
-Dr Marcelo, falou extremamente duro, jamais pensei que te
veria novamente.
-Como está? Superou?
-Suma da minha frente seu desgraçado, antes que eu faça uma besteira
e acabe com você aqui mesmo, falou entre dentes.
-Não sinta raiva de mim, você sabe que fez o certo.
- Você destruiu minha vida seu desgraçado, acabou com o que
eu tinha demais belo.
-Eu não fiz nada, você mesmo fez aquilo, e, você sempre
soube que era o certo a fazer.
-Eu posso te denunciar seu vagabundo.
-E vai arriscar contar pra todo mundo o seu segredo? Acho que
não, se acalme, eu estou indo embora, eu também não quero mais te ver, eu sei
que você sofre pelo que aconteceu e sinceramente, não quero te ver triste, foi
uma fatalidade, fica com Deus garoto, falou e foi embora.
Luan permaneceu parado segurando minhas mãos, e, de repente,
começou a chorar compulsivamente me deixando sem saber o que fazer, já que eu
não entendia o que estava acontecendo.
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