sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Sem controle

Luan on

Ela ficou estática diante de minhas palavras, e, então pude sentir o peso delas, a morte pra mim era um assunto intocável, mas, desde que chegou, essa garota parecia disposta a me desafiar, a trazer de volta a minha realidade tudo aquilo que por anos,  eu tento esquecer, ela, em três dias, me fez relembrar todos os meus traumas, todas as minhas dores, tocou na ferida aberta mesmo sem saber, e isso, a cada dia se tornava insuportável.
Por um minuto, respirei fundo, não queria perder novamente o controle e acabar fazendo uma besteira de novo, mas, há anos já não sou o mesmo, há anos não sei o que é ser feliz, mas, sempre consegui me manter firme, duro e frio até agora.
Em cinco anos, a única coisa que eu ainda me orgulho de ter, era meu autocontrole, no fundo, sempre me orgulhei de conseguir ser assim, fechado, não transparecendo tudo o que eu sinto, até agora.
Por fim, já não me resta nada, nem amor, nem orgulho, e nem ao menos o controle que cultivei por tanto tempo, e, agora, me amedronta o fato de eu não saber como será daqui pra frente.
Uma coisa é certa, bem ou mal, as coisas mudaram, mas, eu não precisava de mudanças no momento, por hora, tudo o que eu desejo é um pouquinho de paz, mas, sei que isso é algo praticamente impossível.

Pisquei algumas vezes afastando os pensamentos e fitei a garota triste em minha frente, ainda deitada na cama, com o rosto inchado pelo choro, e algumas lagrimas que ainda rolavam.


-Come, eu fiz pra você, está gostoso, estendi a ela a bandeja com o sanduiche, o suco e um potinho de frutas picadas.

-Eu não quero, já disse, me deixa em paz.

-Não me afronte, estou sendo legal com você, se não quer comer, tudo bem, mas, levante e vá tomar um banho, você realmente não vai querer ficar na minha frente de camisola, por mais que ela seja broxante, eu sou homem e tenho meus instintos falei sem pensar e na mesma hora ela se levantou com rapidez.

Senti um aperto no peito e uma culpa imensa quando a vi de pé seguindo para o banheiro, ela andava com as pernas levemente abertas, e, as mãos sobre a barriga, próximo a sua virilha, demostrava que ela estava sentindo dor, como se eu tivesse socado aquela região.
Evitei não pensar nisso e a deixei sozinha, desci com o café intocado, e fiquei na sala até o horário do almoço, não quis mandar ela fazer nada, sabia que ela não estava bem, então, optei por pedir em um restaurante.

Assim que entregaram, comi, e levei o prato dela pro quarto, mas, novamente ,ela se recusou a tocar na comida, droga, eu realmente perderia todo o meu controle com essa garota.

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