sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Visita

Luan on

Clara não questionou mais nada e foi melhor assim, ela ainda estava tensa, e, eu sabia que estava sendo difícil pra ela, afinal. Ela estava morando com alguém que ela não conhecia, que não gosta dela, e que se ela o contraria, apanha, sim, eu sabia que isso era cruel, mas, a ideia foi do meu pai, eu não podia fazer nada.

-Por que não tenta dormir um pouco? Está tarde...

-Eu não consigo...

-vem aqui, falei a puxando de leve e fiz ela deitar a cabeça em meu peito, onde comecei a fazer um cafuné, logo, senti as lágrimas dela molharem meu peito, num choro doído, mas silencioso.

Não falei nada, não era preciso, apenas a abracei com um pouco mais de força e continuei o cafuné, até sentir seu corpo pesar e perceber que ela tinha dormido.

Fechei meus olhos, na esperança de dormir tranquilo, mas isso demorou um pouco, era assim todos os dias, eu quase nunca conseguia dormir em paz, é como dizem, é no travesseiro que você sente o peso da consciência...

Sonho on

Abri os olhos, e vi Isadora linda, ela usava o vestido branco de renda, que foi um de meus presentes, mas, estava quieta, calada, apenas me  encarava.
Cori até ela e a abracei com força.

-Isa, meu amor, que saudades eu estava de você...

-Não toque em mim, ela se afastou, você matou nossa filha, eu jamais vou perdoar você, vai embora, esse aqui não é o seu lugar.
-Isa, não diz isso, eu não a matei, você viu, eu não tive culpa, não faz isso comigo, eu juro que tentei de tudo...

-Eu te pedi pra cuidar bem dela, foi o meu ultimo pedido, e você não cumpriu sua promessa, anda, vai embora, vai viver sua vida, eu não te quero aqui.

-você teria feito o mesmo no meu lugar...

-Não, eu cuidaria dela até o ultimo segundo.

-E eu cuidei, pelo amor de Deus, me escuta, eu tentei de tudo, de tudo, eu fiz o que estava em meu alcance, eu não podia deixar ela sofrer...

-Esse vai ser seu castigo Luan Santana, você terá  de conviver com a dor e a culpa de ter matado sua própria filha, vai sentir essa culpa até seu ultimo segundo de vida.

- A culpa não foi minha, eu só fiz o que fiz por amor.

Sonho off

Acordei chorando atordoado, meu corpo, estava encharcado de suor e eu não conseguia parar de chorar.
Tive medo que Clara ou Alice acordasse e me visse daquele jeito, então, ainda chorando, me levantei e fui pra sala.
Assim que desci, me assustei, a luz estava acesa, e ouvi algo atrás do sofá.
Fui com cuidado, não tinha nada, me deitei no sofá, fechei os olhos e senti um toque em meu rosto, um carinho, abri os olhos no susto e, não acreditei no que meus olhos viam, minha princesa estava aqui, parada em minha frente.

As lagrimas caiam sem cessar, e, eu pisquei varias vezes, tentando descobrir se era real, até ouvir sua gargalhada gostosa.
-Nick?  É você mesmo minha princesa? Conversa com o papai meu amor.

-Não chora, olha, eu tô bem, não dói mais nada papai...

-Eu não quis fazer aquilo meu amor, me perdoa, perdoa o papai Nick, eu fiz pro seu bem meu amor...

-tava na hora papai, não foi culpa de ninguém, eu te amo.

-Você está feliz?

-Eu estou papai, não chora, daqui a pouco eu tô voltando, só espera um pouquinho, eu prometo que eu vou voltar, deixa tudo guardado?

-Vai continuar do mesmo jeito eu nunca vou tirar nada do lugar, eu te prometo.

-Eu fiz uma coisa pra você, uma musica, fecha os olhos, você vai lembrar quando acordar.

-Então canta pro papai meu amor.

-Fecha os olhos papai, só escuta, pediu e eu assim o fiz, ouvindo sua voz doce.

Não chore
Pois estou aqui

Mesmo sem poder lhe ver
Agora sou um anjo que vai te
Guiar pode escrever

Não chore
Quero te ver bem
Quero te ver sorrindo

A noite olhe pro céu
Vou estar
Entre as estrelas
Te pedindo calma
Não pense em fazer
Besteiras
Se estiver triste olhe para
As estrelas
Daqui de cima eu vou te ajudar
A encontrar a melhor forma
Pra te consolar

Dizem que levaram alguém
Errado
E sei que queriam ter me
Ajudado
Mas quando a brisa tocar o
Seu rosto
Pode certeza que sou eu do
Seu lado



Senti uma paz sem igual, novamente, senti meu rosto ser acariciado e abri os olhos, mas dessa vez, era Clara quem me fazia um cafuné.

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